R$ 10,8 bilhões até 2028: o mercado de nutracêuticos no Brasil explodiu
O Brasil é o terceiro mercado de suplementos que mais cresce no mundo, atrás apenas da Índia e da China. O setor fechou 2023 com faturamento de R$ 6,4 bilhões e a projeção é atingir R$ 10,8 bilhões até 2028, com crescimento anual de 9,5%. Enquanto o mercado farmacêutico brasileiro atingiu R$ 160,7 bilhões em 2024, os nutracêuticos conquistam uma fatia cada vez maior dessa indústria.
Mas o crescimento do mercado trouxe um desafio: a quantidade de produtos disponíveis cresceu muito mais rápido do que a informação de qualidade. Hoje, qualquer pessoa pode comprar dezenas de suplementos sem orientação profissional. A pergunta que poucos fazem é: será que estou tomando o que realmente preciso?
O que são nutracêuticos, afinal?
Nutracêuticos são substâncias com benefícios fisiológicos além da nutrição básica. A Anvisa os classifica como suplementos alimentares (RDC 243/2018) e regulamenta ingredientes autorizados, alegações permitidas e boas práticas de fabricação. A resolução RDC 990/2025 atualizou o marco regulatório, com prazo de adequação até setembro de 2026.
Na prática, nutracêuticos incluem:
- Vitaminas e minerais: vitamina D, vitamina C, zinco, magnésio, selênio
- Ácidos graxos essenciais: ômega-3 (EPA/DHA)
- Proteínas e peptídeos: colágeno hidrolisado, whey protein
- Probióticos e prebióticos: Lactobacillus, Bifidobacterium, FOS, inulina
- Antioxidantes: coenzima Q10, astaxantina, resveratrol, glutationa
- Nutricosméticos: colágeno para pele, biotina, silício orgânico, ácido hialurônico oral
O problema da suplementação sem orientação
Com a popularização dos nutracêuticos, surgiram também os riscos da suplementação sem critério:
- Superdosagem: tomar múltiplos produtos que contêm o mesmo ativo (ex: vitamina D presente em 3 suplementos diferentes) pode resultar em doses acima do tolerável.
- Interações: suplementos interagem com medicamentos e entre si. Ferro compete com cálcio. Vitamina K anula varfarina. Ômega-3 potencializa anticoagulantes.
- Desperdício: suplementar um nutriente do qual você não é deficiente é jogar dinheiro fora. Sem exames e avaliação, é impossível saber o que realmente falta.
- Falsa segurança: tomar suplementos não compensa uma alimentação ruim, sono inadequado ou sedentarismo. Suplementos suplementam, não substituem.
O papel da farmacêutica clínica na suplementação
A Resolução CFF 585/2013 define que o farmacêutico clínico pode prescrever nutracêuticos como parte da atenção farmacêutica. Na prática, isso significa que a farmacêutica clínica:
- Avalia seu histórico, exames e medicamentos antes de prescrever qualquer suplemento
- Identifica deficiências reais (não presumidas) e define a estratégia de suplementação
- Escolhe a forma farmacêutica com melhor biodisponibilidade para cada caso
- Verifica interações com medicamentos em uso
- Define dosagens, horários de administração e duração do protocolo
- Acompanha os resultados com retornos programados
Em um mercado de R$ 10 bilhões onde qualquer pessoa pode comprar qualquer coisa, ter uma farmacêutica clínica como curadora da sua suplementação não é luxo. É segurança, eficácia e economia a longo prazo.
Tendências em nutracêuticos para 2026
O mercado está amadurecendo e algumas tendências ganham força:
- Personalização: fórmulas manipuladas sob medida, baseadas em exames e avaliação individual, ganhando espaço sobre produtos genéricos de prateleira.
- Suplementação baseada em evidência: consumidores mais exigentes buscam estudos clínicos que comprovem eficácia. Marcas com transparência científica se destacam.
- Saúde intestinal: probióticos, prebióticos e simbióticos em alta, impulsionados pela crescente compreensão do eixo intestino-cérebro-pele.
- Nootropicos: suplementos para cognição, foco e memória ganham mercado entre profissionais e estudantes.
- Formatos inovadores: gummies, sachês efervescentes e shots líquidos ampliam o público que antes resistia a cápsulas.