Nutracêuticos

Nutracêuticos no Brasil: O Mercado de R$ 10 Bilhões e Como Escolher com Segurança

Por Dra. Rafaella Cardoso 8 min de leitura
Nutracêuticos no Brasil: O Mercado de R$ 10 Bilhões e Como Escolher com Segurança

R$ 10,8 bilhões até 2028: o mercado de nutracêuticos no Brasil explodiu

O Brasil é o terceiro mercado de suplementos que mais cresce no mundo, atrás apenas da Índia e da China. O setor fechou 2023 com faturamento de R$ 6,4 bilhões e a projeção é atingir R$ 10,8 bilhões até 2028, com crescimento anual de 9,5%. Enquanto o mercado farmacêutico brasileiro atingiu R$ 160,7 bilhões em 2024, os nutracêuticos conquistam uma fatia cada vez maior dessa indústria.

Mas o crescimento do mercado trouxe um desafio: a quantidade de produtos disponíveis cresceu muito mais rápido do que a informação de qualidade. Hoje, qualquer pessoa pode comprar dezenas de suplementos sem orientação profissional. A pergunta que poucos fazem é: será que estou tomando o que realmente preciso?

O que são nutracêuticos, afinal?

Nutracêuticos são substâncias com benefícios fisiológicos além da nutrição básica. A Anvisa os classifica como suplementos alimentares (RDC 243/2018) e regulamenta ingredientes autorizados, alegações permitidas e boas práticas de fabricação. A resolução RDC 990/2025 atualizou o marco regulatório, com prazo de adequação até setembro de 2026.

Na prática, nutracêuticos incluem:

  • Vitaminas e minerais: vitamina D, vitamina C, zinco, magnésio, selênio
  • Ácidos graxos essenciais: ômega-3 (EPA/DHA)
  • Proteínas e peptídeos: colágeno hidrolisado, whey protein
  • Probióticos e prebióticos: Lactobacillus, Bifidobacterium, FOS, inulina
  • Antioxidantes: coenzima Q10, astaxantina, resveratrol, glutationa
  • Nutricosméticos: colágeno para pele, biotina, silício orgânico, ácido hialurônico oral

O problema da suplementação sem orientação

Com a popularização dos nutracêuticos, surgiram também os riscos da suplementação sem critério:

  • Superdosagem: tomar múltiplos produtos que contêm o mesmo ativo (ex: vitamina D presente em 3 suplementos diferentes) pode resultar em doses acima do tolerável.
  • Interações: suplementos interagem com medicamentos e entre si. Ferro compete com cálcio. Vitamina K anula varfarina. Ômega-3 potencializa anticoagulantes.
  • Desperdício: suplementar um nutriente do qual você não é deficiente é jogar dinheiro fora. Sem exames e avaliação, é impossível saber o que realmente falta.
  • Falsa segurança: tomar suplementos não compensa uma alimentação ruim, sono inadequado ou sedentarismo. Suplementos suplementam, não substituem.

O papel da farmacêutica clínica na suplementação

A Resolução CFF 585/2013 define que o farmacêutico clínico pode prescrever nutracêuticos como parte da atenção farmacêutica. Na prática, isso significa que a farmacêutica clínica:

  • Avalia seu histórico, exames e medicamentos antes de prescrever qualquer suplemento
  • Identifica deficiências reais (não presumidas) e define a estratégia de suplementação
  • Escolhe a forma farmacêutica com melhor biodisponibilidade para cada caso
  • Verifica interações com medicamentos em uso
  • Define dosagens, horários de administração e duração do protocolo
  • Acompanha os resultados com retornos programados

Em um mercado de R$ 10 bilhões onde qualquer pessoa pode comprar qualquer coisa, ter uma farmacêutica clínica como curadora da sua suplementação não é luxo. É segurança, eficácia e economia a longo prazo.

Tendências em nutracêuticos para 2026

O mercado está amadurecendo e algumas tendências ganham força:

  • Personalização: fórmulas manipuladas sob medida, baseadas em exames e avaliação individual, ganhando espaço sobre produtos genéricos de prateleira.
  • Suplementação baseada em evidência: consumidores mais exigentes buscam estudos clínicos que comprovem eficácia. Marcas com transparência científica se destacam.
  • Saúde intestinal: probióticos, prebióticos e simbióticos em alta, impulsionados pela crescente compreensão do eixo intestino-cérebro-pele.
  • Nootropicos: suplementos para cognição, foco e memória ganham mercado entre profissionais e estudantes.
  • Formatos inovadores: gummies, sachês efervescentes e shots líquidos ampliam o público que antes resistia a cápsulas.

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Perguntas Frequentes

Farma Responde

Na regulamentação brasileira (RDC 243/2018 da Anvisa), o termo oficial é "suplemento alimentar". Nutracêutico é um termo de mercado para substâncias com benefícios fisiológicos além da nutrição básica. Na prática, referem-se à mesma categoria de produtos.
Suplementos alimentares podem ser comprados sem receita. Porém, ter uma prescrição farmacêutica garante que você esteja tomando o ativo certo, na dose adequada, sem interações com medicamentos em uso. É a diferença entre comprar por conta e suplementar com critério.
Sim. A RDC 243/2018 regulamenta suplementos alimentares no Brasil, definindo ingredientes autorizados, limites de dosagem, alegações permitidas e boas práticas de fabricação. A RDC 990/2025 atualizou o marco regulatório com prazo de adequação até setembro de 2026.
Depende do caso. Suplementos manipulados permitem personalização de dose, combinação de ativos específicos e uso de tecnologias como encapsulação lipossomal. São ideais quando a prescrição exige algo que não existe pronto no mercado. A farmacêutica clínica avalia quando manipular compensa.
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